domingo, 30 de novembro de 2008

T.P.C.- redação sobre o melhor amigo

"Alucinando entre o fantástico programado e a estonteante rotina
entrei em suburbios citadinos enaldecidos por referências anuladas
substimei influências e fingi não as querer
não gosto do meu cabelo carapinha e negro
não por ser feio mas porque tenho pouco orgulho nele
penso tantas vezes nas facilidades de um branco
não porque o queira ser
se fosse branca talvez me sentisse igual
somos poucos aqui na escola
e fico sozinha de parte das brincadeiras
eu percebo a revolta constante dos meus pais
que para trabalhar me fizeram crescer na rua
eu tenho más notas,mas nunca ninguém me perguntou porquê
não se interessam,eu já pouco valia à partida
o meu irmão mais velho está preso
e custa-me porque não é mau
e o mentor do grupo dele nunca é preso
às vezes a mãe deixa-me vê-lo.
Eu vou para a escola com tanto sacríficio,
depois de deixar todos os meus irmãos mais novos na escola.
Não quero que eles sejam como eu,
depois entro na aula e fico no fundo da sala
onde ninguém possa sentir que não tive tempo de tomar banho.
Não tomo atenção mas também não me chamam à atenção,
e penso que na hora de almoço vou a casa passar a ferro;
lá em casa somos duas mulheres,
eu e a mãe,
trabalhamos muito as duas.
Afinal talvez a culpa não seja dos brancos
nem tão pouco dos negros
mas sim da falta de tempo para o meu empenho
naquilo que me faz mais falta:
os estudos..."

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