quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Lisboa também é mulher

No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo

De azul e mar

À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar

Lisboa menina e moça, menina

Ary dos Santos

1 comentário:

oskar disse...

E QUEM CANTA O FADO...
GOSTAVA DE TE OUVIR...